A grande apostasia de Assis

Retirado e traduzido da Revista Tradición Católica,
da Casa Autônoma da FSSPX em Espanha-Portugal,nº 24 de fevereiro de 1987
APUD apostoladoeucaristico.blogspot.com

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Três meses depois da feira das religiões em Assis[1], ficamos assombrados por uma constatação angustiante: Na Espanha Católica, nem uma voz se levantou para denunciar publicamente este golpe dado em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao contrário: A unanimidade do clero aceitou o fato, muitas vezes com entusiasmo, incluindo os que eram tidos por mais tradicionais. O Sr. Cardeal Arcebispo de Toledo lamentou que não se tenha dado mais difusão a um acontecimento tão importante. O Padre Monsegú em “Iglesia Mundo” e “Roca Viva”, admirou a audácia e prudência de João Paulo II ao convocar esta reunião. “A Igreja perita em humanidade” disse, “fez de Assis um púlpito para a paz… Rogando a Deus e batendo o martelo, isto há de ser aprendido de Assis.”

Sabemos que o número não faz a verdade. Mas temos que confessar que tanta unanimidade é de impressionar, e mais de um de nossos fiéis poderia começar a vacilar: Não seríamos nós os que se equivocam?

O que aconteceu, então, em Assis? João Paulo II convocou todas as religiões para rezar pela paz.  Emprestou-lhes igrejas para seus falsos cultos. Na igreja de São Pedro os bonzos adoraram a seu Dalai Lama que é para eles a reencarnação de Buda. Ele estava sentado de costas a um altar lateral onde a lâmpada acesa avisava da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo, abandonado por todos os seus ministros (Avvenire 28/10/86). E os católicos entravam nos diversos “lugares de oração” como se fossem à Missa, recebendo com devoção a bênção de Alá, Buda, Visnu, etc. (La República 28/10/86), assistindo a cada cerimônia com o mesmo recolhimento (Avvenire 28/10/86), beijando a mão de Dalai Lama (II Tempo 28/10/86) e recebendo as misturas mágicas  borrifadas pelos “bruxos” africanos como se fossem água benta (II giornale 28/10/86) etc. [2] Tudo isso leva um nome; desde sempre e em todos os países é chamado: idolatria e cooperação à idolatria por parte dos que convocaram esta reunião e emprestaram as igrejas.

Dois desenhos de Dom Marcel Lefebvre ao Papa João Paulo II:

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“Sempre amei muito e servi aos Papas,
mas na Verdade, não no liberalismo nem no modernismo,
nem no progressismo que destrói a Igreja”. (Dom Marcel Lefebvre)

Quando pensamos que esta ofensa que foi feita diretamente contra o primeiro e mais grave mandamento da lei de Deus, e que povos inteiros foram inteiramente destruídos por semelhante pecado, começamos a tremer. Quando vemos que na Espanha não houve nem uma só voz para condenar e reparar publicamente este golpe dado a Nosso Senhor Jesus Cristo, nos assustamos. Mas quando nos insultam como cismáticos, então deixamo-nos invadir por uma santa ira e exclamamos com São Pedro:  “Julgai por vós mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós mais que a Ele; porque nós não podemos deixar de confessar que Jesus Cristo é o único Deus e Senhor”; se alguém não ama Jesus Cristo seja anátema! (1 Cor. 16-22). Com estas palavras, São Paulo nos manifesta claramente que a paz não deve ser buscada a todo custo. Mas qual paz não se deve buscar a todo custo? De qual paz estamos falando? Em Assis alguns pediam a seu deus a paz hinduísta, outros rezando a Alá lhe pediam a paz islâmica (sabemos o que isso significa e significou na Espanha durante os séculos de domínio muçulmano!). O metropolita Philarete de Kiev, ortodoxo russo  e membro obrigado da KGB pedia sem dúvida pela paz de seus mestres, “paz soviética”; João Paulo II pedia pela “compreensão universal das religiões”, ideal totalmente maçônico.

Nós pedimos com toda a tradição “Pax Christi in Regno Christi!”. A paz de Cristo pelo reino de Cristo. Isto é o que não querem esses modernistas que destruíram voluntariamente os últimos estados católicos. Nós pedimos a paz de Cristo pelo reino de Cristo, e o pedimos pelo Coração Imaculado de Maria [3], e terminaremos este artigo com uma súplica ao Santo Padre: Santo Padre, vos proclamais “totus tuus”, abristes o ano declarando-se mariano, mas: o que fizestes com a súplica da Santíssima Virgem desde o princípio de vosso pontificado? Vos suplicamos que repareis o escândalo de Assis, fazendo por um o que Ela pediu: divulgando o terceiro segredo de Fátima que tinha que ser divulgado em 1960 e consagrando com todos os bispos católicos a Rússia ao coração Imaculado de Maria, (Ainda não o fizestes como teria que ter sido feito) e então a Rússia se convertirá e o mundo terá a paz.

P. Guillaume Devillers

Notas

[1] Trata-se da primeira reunião, realizada em 1986.

[2] Para mais detalhes ver “Si si no no” de 15/12/86. Pedidos de “Si si no no”: Vía Madonna degli Angeli Nº 14 00049 Velletri (Itália).

[3] Eis aqui a última recomendação da pequena Jacinta a sua prima Lúcia: “Quando chegar o momento de dizê-lo, não te escondas. Diga a todo o mundo que… o Coração de Jesus quer que se venere com Ele o coração Imaculado de Maria, que se peça a paz ao Coração Imaculado de Maria, que é a Ela a quem Deus a confiou”.