Declaração ao povo católico de Santo Antônio de Pádua, Pe. Eduardo Athayde

04-11-84

Para continuar na Terra sua missão de dar glória a Deus e salvar as almas, Jesus Cristo instituiu sua Igreja, a Igreja Católica Apostólica Romana. Esta Igreja Nosso Senhora a fez constituída de duas classes, uma que ensina, santifica e dirige – é a Hierarquia sagrada, o Clero; outra que é ensinada, santificada e dirigida, é o povo fiel. Nestas palavras resumimos o ensinamento de Jesus Cristo constante do Evangelho de S. Mateus e S. Marcos: “Ide e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. E eis que estarei convosco até a consumação dos séculos” (Mat. XXVIII, 19, 20).

A verdadeira Igreja de Jesus Cristo, a Católica, Apostólica Romana, recebeu para ser fiel no cumprimento de sua missão – e exclusivamente para isso – a promessa da assistência divina infalível. É em virtude dessa assistência prometida por nosso Senhor à sua Igreja que ela, através dos séculos, ensinou o que é de Fé, o que é necessário crer para se salvar e condenou o que é contrário a essas verdades de Fé. As verdades de Fé foram ensinadas e impostas à nossa crença ou através de um pronunciamento infalível do Papa, que chamamos “ex-cathedra”, ou de um Concílio ecumênico, reunião dos Bispos do Mundo inteiro (totalidade moral) sob a direção do Papa, ou ainda, através do ensinamento ordinário da Igreja, quando “em todo tempo, em todo lugar e por todos (moralmente todos) uma verdade foi professada como de Fé”.

Esta é a regra de Fé; se quisermos saber o que devemos crer para nos salvar, é preciso usar esta regra, ou seja, quais as condições para que o ensino seja conhecido como infalível é o Concílio Vaticano I; que a Igreja seja infalível no magistério ordinário e universal (no tempo e no espaço) é o mesmo Concílio que o declara. Para elucidar dúvidas, surgidas especialmente na Alemanha de Bismarck, o Papa Pio IX tornou claro que a autoridade pontifícia é suprema, mas não é absoluta. Ela está subordinada à doutrina contida na sagrada Escritura, na Tradição e às definições já editadas pelo Magistério Eclesiástico (cfr. Enchiridion Symbolorum et definitionum ed de Denziguer-Schonmetzer, n. 3616/7).

Aliás não poderia ser de outra maneira. Se uma doutrina de Fé é irreformável, nenhuma autoridade pode modificá-la, e todos estão subordinados a ela, mesmo o Papa. Por exemplo, o IV Concílio de Latrão e o Magistério Ordinário da Igreja definiram que “fora da Igreja não há salvação” (DS. 802). Ninguém, portanto, pode ensinar o contrário.

Pois bem. Quem não vê que a Declaração do Concílio Vaticano II no Decreto sobre o Ecumenismo, nº 3: “O Espírito de Jesus Cristo não se recusa a utilizar-se das Igrejas e comunidades separadas (da Igreja Católica, entende-se) como de meios de salvação” (AA, 1965, p. 3), é contrário ao que a Igreja já definiu como de Fé: fora a Igreja não há salvação? Como seguir o que já foi definido pela Igreja e ao mesmo tempo o contrário, que está agora sendo ensinado?

A minha resistência, como a dos outros padres tradicionalistas da Diocese de Campos, é exatamente a estas e outras contradições do mesmo gênero, que, alinhavadas habilmente, formam toda uma doutrina nova: com sua liturgia nova, Dogma Novo e Moral nova. Do momento em que se instalou dentro da Igreja, ilegitimamente, a possibilidade de mudar o que é imutável, todo fundamento da indefectibilidade, da ordem, da disciplina foi atacado, abalado. Foi atingida a própria autoridade Papal, pois se os Papas anteriores, usando da prerrogativa de infalibilidade, se toda a Igreja do passado pode errar nos ensinamentos de seu magistério ordinário e universal, pode a Igreja atual impor alguma doutrina, dar ordens com segurança de ser seguida sem medo de errar?

– Quem ataca e desrespeita a autoridade dos Papas e da Igreja são os responsáveis por estas mudanças inaceitáveis, e não nós. O que fazemos, é resistir exatamente àquilo que é a causa de todos os males da Igreja no momento atual. Somos lançados fora de nossas Paróquias não porque tenhamos infringido o Dogma ou a Moral, mas, sim, porque os defendemos. Nós não fazemos afirmações gratuitas, nós provamos o que afirmamos. Ora, quem procede assim não pode legitimamente ser punido, e se houver punição, está é inválida.

Eis porque, caríssimos paroquianos, continuaremos, com a graça de Deus, a nossa luta, certos de que estamos agindo segundo a vontade de Deus, trabalhando em defesa da Santa Igreja, da verdadeira autoridade Papal e de toda a hierarquia eclesiástica, bem como pela salvação eterna dos fiéis.

Padre Eduardo Athayde
Pároco de Santo Antônio de Pádua

Foto-imagem do folheto distribuído na paróquia

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