Declaração do Pe. Stefan Frey, Reitor do Seminário da Fraternidade São Pio X na Alemanha

Assis, Congresso dos Demônios?

capa-assis-alemanha

No Dia de Ano Novo, o Papa Bento XVI causou sensação em seu discurso após a recitação do Ângelus. Com efeito, ele convidou todos os seus irmãos “cristãos” de várias denominações e “os expoentes das tradições religiosas do mundo” a irem em peregrinação, com ele, em outubro deste ano, à cidade onde viveu São Francisco para comemorarem o “gesto histórico ” de seu antecessor, há 25 anos, quando reuniu todas as religiões ali.

Não se pode lembrar de tal “ação histórica” sem se lamentar. Em especial por causa do poder simbólico das imagens que se espalham por todo o mundo conduzindo a mensagem: todas as religiões são caminhos para Deus e para a paz no mundo. Na verdade, quando João Paulo II convidou todos os representantes das diferentes religiões para rezar aos seus deuses, e quando ele pôs à sua disposição, para celebrar seus rituais, as igrejas de Assis, incluindo os lugares mais sagrados, com a presença do Santíssimo Sacramento, todos devem ter sido seduzidos por essa impressão: todas estas formas de culto, em si, são sagradas, agradam a Deus e possuem uma força positiva para o estabelecimento da paz no mundo. Quanto à religião católica, é apenas uma forma de salvação, entre outras.

O espírito de Assis

– Todas as religiões são importantes e efetivas para trazerem a paz ao mundo!

– Todos os homens devem viver sua fé – como um serviço à paz mundial.

– Todas as religiões levam a Deus.

Que monstruosa blasfêmia contra o único Deus e Salvador Jesus Cristo, colocado por seu vigário na terra (!) no mesmo nível que Maomé, Buda e todos os ídolos pagãos que, segundo o testemunho da Sagrada Escritura, não são outra coisa além de demônios!

Esse “congresso de demônios” inscreve nos anais da história da Igreja o capítulo mais sombrio de todos, mesmo que o homem que o iniciou, subjetivamente, tenha agido com boa intenção: mobilizar todas as forças religiosas para salvar a paz no mundo que estava afundando cada vez mais na impiedade e na anarquia.

Infelizmente, ele “esqueceu” que existe, para toda a família humana, apenas um caminho que conduz à paz e salvação, atestado por Aquele que proclamou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (João 14: 6).

O espírito católico

– Jesus Cristo  é o único Deus, o único caminho para a paz e a salvação.

– Todos os homens são chamados a se converterem a ele.

– Todas as outras religiões são caminhos enganosos do diabo: “Todos os deuses dos gentios são demônios.” (Sl 95[96]:5).

Aparentemente, Bento XVI está disposto a seguir o caminho errado e desastroso de seu antecessor. As palavras de seu discurso para o Ano Novo não deixam dúvidas: “As grandes religiões podem constituir um importante fator de unidade e paz para a família humana.” É por isso que elas iriam a Assis “renovar o compromisso solene dos fiéis de todas as religiões de viver a própria fé religiosa como um serviço à causa da paz.” Isto porque “aqueles que viajam em direção a Deus não podem deixar de transmitir paz, aqueles que estão construindo a paz não podem deixar de se aproximarem de Deus.” A mensagem mais curta que ele pronunciou em francês infelizmente completa a imagem de um mundo ideal em sincronia com ideias que são totalmente maçônicas: “Que a Virgem Maria, Mãe do Príncipe da Paz, ajude todas as pessoas a renovarem seu compromisso com a construção de um mundo que seja cada vez mais fraterno, onde todos sejam livres para professar sua religião ou sua fé.”

Por isso o [encontro de] Assis é:

– Uma grave ofensa objetiva contra Cristo e Sua Igreja;

– Uma negação prática da divindade de Cristo, de Sua realeza universal e da singularidade de sua mediação para a salvação;

– Um incentivo para que os outros crentes pratiquem sua falsa adoração;

– Um sinal forte para as pessoas que estão procurando que eles devem ficar longe da única Arca da Salvação;

– Confusão para os católicos sobre o tema da verdadeira religião;

– Um espetáculo sedutor que leva ao indiferentismo religioso.

Os diferentes encontros inter-religiosos em Assis rompem completamente com a doutrina da Igreja, ensinamento que foi revelado por Deus. Eles não estão baseados na Sagrada Escritura, nem em qualquer ensinamento ou ato pontifício. Muito pelo contrário! Em 1928 o Papa Pio XI escreveu em sua encíclica sobre o tema dos “encontros inter-religiosos”:

“Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

“Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.”

Pio XI, Mortalium animos, 6 de janeiro de 1928.

Quando se trata da glória de Deus, a verdade da religião e a salvação das almas, seria um pecado permanecer em silêncio quando se pode falar. Assim, em 1986, Dom Lefebvre moveu céus e terras para dissuadir o papa João Paulo II de realizar os planos que tinha anunciado. Em 27 de agosto, ele escreveu para vários cardeais amigos dele, para pedir seu apoio: “Aquele que está assentado no Trono de Pedro ridiculariza publicamente o primeiro artigo do Credo e o primeiro mandamento do Decálogo. O escândalo dado às almas católicas não pode ser medido. A Igreja está abalada até os alicerces. Se a fé na Igreja, a única Arca de salvação, desaparece, então a própria Igreja desaparece. Toda a sua força, toda a sua atividade sobrenatural é baseada neste artigo da nossa fé.” Assim que a reunião ocorreu em Assis, ele protestou com Dom Antônio de Castro Mayer em uma carta aberta: “O pecado público contra a unicidade de Deus, contra o Verbo Encarnado e Sua Igreja faz-nos estremecer de horror: João Paulo II encorajando as falsas religiões a rezar a seus falsos deuses: escândalo sem medida e sem precedente… uma impiedade inconcebível e uma humilhação insuportável para aqueles que continuam católicos na fidelidade a vinte séculos de profissão da mesma Fé.”

Como nosso fundador, no passado, nós também não podemos permanecer em silêncio hoje se não quisermos ser “cães mudos incapazes de latir” (Isaias 56:10), os pastores que assistem, sem fazer nada, às ovelhas que se desviaram da fé. O dever de todo fiel católico é acima de tudo levantar as mãos com ardor e perseverança para o céu para pedir a Deus que evite, por sua onipotência, a repetição das atrocidades de Assis. Que a Santíssima Virgem Maria, que venceu todas as heresias, ilumine e fortaleça nosso Santo Padre para que ele possa agir com o mesmo objetivo de seus antecessores, que preferiram suportar perseguição, tortura e morte, em vez de insultar a Cristo e fingir adorar falsos deuses.

Pe. Stefan Frey, reitor do Seminário Sagrado Coração de Zaitzkofen, Alemanha, 22 jan. 2011

Retirado e traduzido de dici.org