Dom Fernando Rifan defende o pluralismo cultural e religioso, pelo Pe. Joël Danjou

Eleições no mês de Cristo Rei

“ONTEM…”

“NÃO aos candidatos protestantes

O eleitor católico deve optar pelo melhor candidato: católico, praticante, honesto, íntegro, trabalhador, empreendedor, não filiado a partidos socialistas. Pois, a autoridade deve ser exemplo para os súditos.

Infelizmente este candidato ideal é hoje uma raridade. Na maior parte das vezes que vamos às urnas somos obrigados a sufragar o menos mau.

Mas, se há um candidato que o católico deve excluir categoricamente é o protestante.

Os protestantes, “crentes”, “evangélicos”, esses inimigos figadais de nossa Santa Religião Católica, com a cumplicidade de inúmeros católicos indiferentes e interesseiros, têm conseguido eleger um número cada vez maior de candidatos de suas seitas. E assim, vão garantindo a aprovação de seus projetos anticatólicos. Por que o famigerado Edir Macedo e seus pastores, depois de tantas provas contundentes de charlatanismo e extorsão, continuam de vento em popa? Não será por já contarem com forte apoio de políticos?

É hora de os católicos reagirem, negar qualquer apoio a candidatos protestantes, se empenharem por esclarecer outras pessoas menos avisadas ou indiferentes.

Muitos católicos raciocinam com um revoltante indiferentismo: – “O candidato X é protestante, mas, da outra vez que foi eleito, calçou a rua de minha casa, arranjou emprego para meu filho…por isso voto nele.”

É preciso, em tudo, também na política, colocar em primeiro lugar os interesses da Religião, a salvação de nossa própria alma e a do próximo. “Cuidai em primeiro lugar do Reino dos Céus”.”

Ontem Hoje Sempre- Campos RJ – junho 1996 – n.35

Mas “hoje” Dom Rifan abandonou esse ensino claro

Foi publicado na Folha da Manhã (jornal local de Campos RJ) em abril de 2008, um artigo de Dom Fernando Rifan sobre as eleições, que o Pe. José Gualandi, infelizmente mal influenciado, resolveu publicar novamente em sua Folhinha Paroquial da Igreja de Nossa Senhora do Terço. Assim, vemos agora na questão política como o progressismo de Dom Rifan se espalha cada vez mais e sem a mínima resistência entre os padres de Campos. Um verdadeiro e aflitivo escândalo:

(*) “Dom Fernando Rifan explana sobre as eleições…”

(…) Propomos critérios para a votação: respeito ao pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos; e defesa da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias. Folha da Manhã, 23.04.08


Eleicoes D Rifan - propomos criterios sublinhado

Comentário

Ontem Cristo era Rei, hoje Cristo é pluralista?

Não, a Verdade nunca respeita o erro, “a luz brilha nas trevas” (S. João I). A verdade afasta o erro. Muitas vezes hoje a Verdade tem que suportar a influência e as potestades que apóiam os erros, fala-se então de tolerância, jamais de respeito.

Propor como critério para escolher um candidato, “respeito ao pluralismo cultural e religioso” é pedir que haja um respeito da Luz e também um respeito das trevas. Não podemos respeitar Deus e os demônios! O respeito da confusão cultural e religiosa é um princípio liberal profundamente anti-católico.

Jamais um católico pode aceitar respeitar a perversidade, a imoralidade, a idolatria. Porém, o pluralismo cultural e religioso proposto como critério positivo, obriga por princípio o católico a aceitar o que é inaceitável.

Sob a palavra “cultural” temos hoje o melhor (raramente) e (sobretudo) o pior.

Esse critério é a negação imediata da Realeza social de Cristo. É a negação da Encíclica “Quas Primas” de Pio XI. É a negação e recusa prática de um dogma de Fé, Jesus Cristo é Rei do universo!

Logo, reclamando ao mesmo tempo a “liberdade de iniciativa no campo da educação”, todas as culturas e todas as religiões poderão beneficiar igualmente e sem favoritismo para a Única verdadeira, de uma liberdade pública de ensinar o melhor (raramente) e (sobretudo) o pior.

Observemos ainda que esse critério dado por Dom Rifan é tão falso e grave que proíbe, por princípio, aos católicos votar para um católico que guardaria a doutrina católica! Efetivamente, um católico católico!, terá como primeiro critério a vontade de “restaurar tudo em Cristo” como o ensina a Igreja. Dom Rifan, contra toda a doutrina católica, exige escolher um candidato que tenha “respeito ao pluralismo cultural e religioso”, isso exclui logo o católico católico!

São Pio X brilhou constantemente na defesa desta doutrina

“(…) 12. Ora, onde está a via que nos dá acesso a Jesus Cristo? Está debaixo dos nossos olhos: é a Igreja. Diz-no-lo com razão São João Crisóstomo: a Igreja é a tua esperança, a Igreja é a tua salvação, a Igreja é o teu refugio (Hom. de capto Eutropio, n. 6).

13. Foi para isso que Cristo a estabeleceu, depois de adquiri-la ao preço do seu sangue; foi para isso que Ele lhe confiou a sua doutrina e os preceitos da sua lei, prodigalizando-lhe ao mesmo tempo os tesouros da graça divina para a santificação e salvação dos homens.

14. Vedes, pois, Veneráveis Irmãos, que obra nos é confiada, a Nós e a vós. Trata-se de reconduzir as sociedades humanas, desgarradas longe da sabedoria de Cristo, reconduzi-las à obediência da Igreja;(…)”

(…)15. Todavia, para que o resultado corresponda aos Nossos votos, mister se faz, por todos os meios e à custa de todos os esforços, desarraigar inteiramente essa detestável e monstruosa iniqüidade própria do tempo em que vivemos e pela qual o homem se substitui a Deus. Restabelecer na sua antiga dignidade as leis santíssimas e os conselhos do Evangelho; proclamar bem alto as verdades ensinadas pela Igreja sobre a santidade do matrimônio, sobre a educação da infância, sobre a posse e o uso dos bens temporais, sobre os deveres dos que administram a coisa pública; restabelecer, enfim, o justo equilíbrio entre as diversas classes da sociedade segundo as leis e as instituições cristãs.

16. Tais são os princípios que, para obedecer à divina vontade, Nós Nos propomos aplicar durante todo o curso do Nosso Pontificado e com toda a energia de Nossa alma.

17. O vosso papel, Veneráveis Irmãos, será secundar-Nos pela vossa santidade, pela vossa ciência, pela vossa experiência, e sobretudo pelo vosso zelo da glória de Deus, não visando a nada mais do que a formar em todos Jesus Cristo (Gal 4,19).

Encíclica ‘E supremi apostolatus’ – S. Pio X – 4 de outubro de 1903.

E seguindo conscienciosamente o Magistério da Igreja, encontramos ainda Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Marcel Lefebvre.

Extratos da Circular ao Revmo. clero e fiéis da diocese de Campos

Observações sobre a pureza e a integridade da Fé

Dom A. de Castro Mayer

(…)

A liberdade religiosa

Assim, sobre a liberdade religiosa, podemos resumir em três itens o ensino oficial do Magistério eclesiástico: a) ninguém pode ser coagido pela força, a abraçar a Fé Católica; b) o erro não tem direito nem a existência, nem a propaganda, nem a ação; c) este princípio não impede que o culto público das religiões falsas possa ser eventualmente tolerado pelos poderes civis em vista de um bem maior a obter-se, ou de um mal maior a evitar-se (Cfr. AL. Pio XII, 6.XII.1953).

Com o princípio de bom senso, que tolera a eventual existência de religiões falsas, a doutrina da Igreja atende mesmo às condições de fato de uma sociedade, religiosamente, pluralista. Não admite, porém, nem poderia admitir, no homem, um direito natural de seguir a religião do seu agrado, prescindindo de seu caráter de verdadeira ou falsa. Aceitar semelhante direito em nome, por exemplo, da dignidade humana, envolve uma profunda inversão da ordem das coisas. Pois, a dignidade do homem que toda ela procede de Deus, passaria a sobrepor-se à obrigação fundamental que tem esse mesmo homem com relação a Deus a cultuá-Lo na verdadeira religião.

Outra posição, lesiva dos direitos divinos, está implícita naquele princípio: o Estado deveria ser necessariamente neutro em matéria religiosa. Deveria sempre dar plena liberdade de profissão e de propaganda a qualquer culto. Atitude esta que contradiz o ensino católico tradicional, uma vez que, criatura de Deus, também a sociedade, como tal, tem o dever de cultuá-Lo na Religião verdadeira, e de não permitir que cultos falsos possam blasfemar o Santíssimo Nome do Senhor (Cfr. Leão XIII, Enc. “Immortale Dei” e “Libertas”). Não é difícil verificar-se que este princípio falsíssimo de liberalismo corre em meios católicos como doutrina oficial.

O Ecumenismo

Intimamente relacionada com a liberdade religiosa está a questão do Ecumenismo, como é ele entendido e praticado. A liberdade religiosa, que acabamos de ver, dá ao homem pleno direito de seguir sua religião, ainda que falsa, e impõe ao Estado o dever de atender aos cidadãos no uso de semelhante direito. A liberdade religiosa, pois favorece, quando não impõe, o pluralismo religioso.

Ora, acontece que, numa sociedade dilacerada por esse pluralismo, a identidade de origem de todos os homens, os mesmos problemas que resolver, as mesmas dificuldades que enfrentar, despertam nos indivíduos o anseio de buscar uma unidade de fundo religioso, visto que a comunhão na convicção religiosa é um meio excelente de congregar esforços, para a conquista do bem comum e do interesse público. Daí os movimentos visando chegar à união das várias religiões, mediante a aceitação de princípios comuns a todas elas, sem exigir a renúncia às características específicas de cada uma, que continuaria distinta das outras. (…)

Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos, 1º de junho de 1981

E em 21 de novembro de 1983

Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Marcel Lefebvre escreveram um “manifesto episcopal” enviado ao Papa João Paulo II. Lembravam ao Santo Padre “(…) os erros principais que estão na raiz desta situação trágica e que foram condenados por Vossos predecessores”.

Em anexo apontavam exemplos, fatos manifestando o falso ecumenismo: “Fatos manifestam, de modo evidente, este conceito heterodoxo: as autorizações para a construção de salas destinadas ao pluralismo religioso, – a edição de bíblias ecumênicas que não são mais conformes à exegese católica, – as cerimônias ecumênicas como as de Cantuária.”

Textos apresentados e comentados pelo padre Joël Danjou da FSSPX

(*)

Eleicoes D Rifan