Não rezaremos juntos em Assis

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Durante sua visita a Paris em 2008, Bento XVI repetiu a expressão utilizada por seu antecessor no início de seu pontificado: “Não tenham medo”. Hoje, ao anunciar a celebração do 25º aniversário do encontro inter-religioso de Assis, alguns intelectuais católicos italianos estão dizendo: “Santo Padre, nós estamos com medo de que o relativismo, contra o qual o senhor luta em outros lugares, seja incentivado por sua presença entre representantes de todas as religiões do mundo. Estamos com medo de que os católicos que hoje estão sofrendo perseguição por sua fé em Jesus Cristo, no Paquistão, no Iraque, na Coréia do Norte, na China… possam pensar que seus algozes são consolados pelo reconhecimento público e pelos holofotes da mídia que o catolicismo irá fornecer a eles através da organização deste novo encontro inter-religioso”.

Durante o primeiro encontro inter-religioso em Assis, em 1986, em uma tentativa de tranquilizar aqueles que corretamente argumentavam que tal assembleia de todas as religiões só poderia aumentar a confusão e incentivar o sincretismo, os organizadores recorreram a esse trocadilho ridículo: eles não estavam rezando juntos, eles estavam juntos rezando. Em outras palavras, estava fora de questão que os crentes em Jesus Cristo, Alá, Buda, Shiva… rezassem juntos, mas eles estavam juntos, para orar separadamente!

No próximo mês de outubro, nós não rezaremos juntos, em Assis. Nós estaremos com as vítimas no Iraque, no Paquistão, rezando com eles e para eles.

Pe. Alain Lorans

Retirado e traduzido de Dici.org