Sobre as propostas de Dom Alain Planet à FSSPX

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Dom Alain Planet, Bispo de Carcassonne e Narbonne (França)

Como todos os anos desde 1995, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X organiza uma peregrinação a Nossa Senhora de Marceille em Limoux (Aude). Uma única vez, no primeiro ano, a Missa da peregrinação se realizou no exterior da basílica, mas já nos terrenos do santuário. Desde 1996, os peregrinos puderam aceder, com o acordo do Bispo da época, Dom Jacques Despierre, à igreja, para ali assistirem à Missa. De verdade, os confessionários estavam fechados a cadeado, para que os nossos Padres não pudessem ali absolver os pecados, o que os levou a administrar o sacramento fora do confessionário. Mas as portas estavam francas e abertas para a multidão ida unicamente para… orar. Os organizadores da peregrinação tiveran sempre o cuidado de agradecer às autoridades eclesiásticas, cuidando, tanto quanto possível, em manter como outrora relações respeitosas.

Tal é a situação herdada por Dom Alain Planet à sua chegada à diocese, em 24 de Junho de 2004.

Hoje, é difícil ver confiança da sua parte, sendo exigidas, unilateralmente, novas condições para que possa continuar uma situação que funcionou perfeitamente durante 15 anos. A diocese, bem como a escola da Fraternidade, estão conscientes que todos os problemas, tanto doutrinais, como litúrgicos ou canônicos, não estavam completamente regulados – deixando as respectivas autoridades encarregar-se deles – mas a disposição, não resolvendo problemas velhos de quarenta anos, permitia localmente uma certa relação de confiança. Ora, esta está manifestamente abalada pelas novas exigências do Bispo:

«Se os vossos padres me pedirem o poder de confessar, se ultilizardes os Santos Óleos da diocese, se eu confirmar as crianças das vossas escolas, então tudo será resolvido».

Se, com esta exigência, o Bispo de Carcassone e Narbone se quer assegurar do seu ministério legítimo e reconhecido, estamos prontos a confirmar-lho. Se pretende, com estas disposições, ouvir da nossa parte que a «pastoral» dos Bispos da França, tanto doutrinal como liturgicamente, é fiel à Tradição da Igreja, então não podemos concordar.

Numa recente entrevista, nosso Superior Geral, Dom Bernard Fellay, confidenciou: «Não existe dúvida que, no futuro, poderá haver colaboração com certos bispos». Peçamos a Nosso Senhor para que suscite Bispos corajosos, como os que nos concederam o seu apoio: Dom de Castro Mayer, no Brasil e Dom Lazo, nas Filipinas, que compreenderam a crise da Igreja.

Na sua entrevista, Dom Fellay prosseguiu: «É indispensável que isso se faça com Bispos que conpreenderam realmente a crise e que verdadeiramente nos queiram». Com efeito, Dom Marcel Lefebvre, nosso fundador, por experiência, viu no seu tempo que a dependência de Bispos diocesanos era um meio disfarçado para estes conterem e destruirem lentamente as obras sãs. O exemplo das comunidades Ecclesia Dei também é eloquente. Por dependerem dos bispos para receber o poder de confessar ou para receber a confirmação, foram maltratadas, confinadas, reduzidas ao silêncio, para progressivamente as convidarem ao bi-ritualismo.

Também o problema que se levanta é o de saber se Alain Planet «nos quer verdadeiramente» – como diz Dom Fellay – a fim de responder às exigências. Quer ele desenvolver as nossas obras estabelecidas no Aude por aquilo que são, encorajando-as, estendendo o seu ministério? Ou quer comunidades manietadas, às quais, depois de lhes conceder o poder de confessar – como se já não existisse a situação de necessidade – se acabaria por exigir outras condições que já pedem a outras: o bi-ritualismo, o silêncio sobre a doutrina e a presença ativa na Missa Crismal de Quinta-feira Santa?

Bem entendido, a fim de conhecer as reais intenções de Dom Planet a nosso respeito, não nos contentarenos com falsos rumores ou nos limitaremos a vagas impressões. No contexto atual, tais propostas da parte de um Bispo seriam, para alguns, inesperadas. Seriam se – e apenas se – a vontade daquele que as faz é a de aumentar as nossas obras, não a de as destruir pela via de uma obediência que nos aprisionaria. Assim, ficaremos com os fatos e as declarações do Bispo de Carcassone e Narbonne.

Para Dom Planet, os franco-mações são «homens de boa vontade»

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[Legenda do foto: O Bispo de Carcassone descobriu as suas afinidades com a GLNF, obediência deista, da qual são membros numerosos Católicos]

Para o Express nº 3010, de 12 de Março de 2009, que faz referência ao artigo do Express de 23 de Maio de 2005, “o Bispo de Carcassone descobriu as suas afinidades com a GLNF, obediência deista, da qual são membros numerosos católicos”

Se bem que certos dos seus confrades no episcopado lembrem, corajosamente, a reprovação total da Igreja a respeito da franco-maçonaria, Dom Alain Planet manifestou, mais de uma vez, a sua real amizade pelos seus adeptos, confirmando a sua vontade de dialogar com eles, minimizando completamente o perigo que representam, deixando entender que nem todas as obediências se opõem à Igreja, deixando publicar (1) nos jornais anúncios indicando as suas visitas às lojas maçônicas, tai como a do Express de 23 de Maio de 2005:

«Inédito. O Bispo de Carcassonne, Dom Alain Planet, falará das relações entre a Igreja e a franco-maçonaria, em 27 de Maio, em Narbonne (Aude), durante uma sessão da Grande Loja Nacional Francesa.»

Entrevistado pela rede KTO, em 13 de Junho de 2008, reconheceu o seu compromisso em dialogar com os franco-maçons:

«Todas as obediências [maçônicas] estão [no Aude]. Mas, creio que, também aqui, é mais complicado do que isso. Existe todo um processo de encontros com franco-maçons. Bom, sem trair segredo, posso dizer mesmo que há os que trabalham em grupos bíblicos. […] Não é tão simples como isso, tão distinto. Que depois fique claro que o ideal da franco-maçonaria não é exatamente o da Igreja Católica, é evidente. Mas, dito isto, isso quer dizer que existe sempre um diálogo para os homens de boa vontade e que o diálogo existe no Aude.»

Não somente o ideal da franco-maçonaria não é exatamente o da Igreja Católica, mas é completamente contraditório e incompatível com este, tornando particularmente nocivas as relações. O bom senso do jornalista levou-o a interrogar o bispo: «que espera deste diálogo?»

O laxismo do Bispo frente ao islã

Em 2 de Novembro último, dia de defuntos, a igreja de Viguier (Aude) estava à cunha. Longe de tomar a sério o novo ódio ao Cristianismo no nossos país [França], Dom Alain Planet via nele a brincadeira de alguns adolescentes, chegando mesmo a inverter os papéis de culpados e de vítimas:

«Os acontecimentos de ódio anti-islamista que seguiram os acontecimentos de Carcassone são muito mais ofensivos para o Cristianismo e o próprio Cristo que a estupidez de algumas crianças mal intencionadas.»

E, na cerimônia de reparação, o próprio Bispo convidou o imã local a falar na igreja de Viguier. (France Catholique).

Dom Planet, frequentador dos templos protestantes

Dom Alain Planet participa regularmente, com pastores, em cerimônias organizadas nos templos protestantes.

Foi o caso de Narbonne em 8 de Naio de 2010, como fora o caso do templo reformado de Carcassonne (cujo serviço é assegurado principalmente por uma mulher pastora) em 23 de Janeiro.

No decurso de uma cerimônia de coloração política, celebrando a defesa dos “indocumentados”, o bispo não teve pejo em ouvir a pregação do pastor para, por fim, dar a sua bênção final.

Assim, se ele previne contra Católicos Tradicionalistas sob pretexto de que não estariam em plena comunhão, em compensação nenhuma reserva faz em relação dos que não estão em nenhuma comunhão.

Enfim, para a celebração do Domingo de Páscoa de 2009, Dom Planet assistiu ao culto protestante celebrado pelo pastor Pairou em Malportel (Aude).

O Motu Proprio iniciaria a «contaminação» dos ritos

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Em Pennautir( Aude) : Dom Planet celebrando com os seus confrades de Perpinhão e de Pamiers a Festa da Amizade

Pode-se legitimamente pensar que o objetivo de Dom Planet é encorajar a Missa tradicional? Verdadeiramente, pode-se duvidar quando, num estúdio de televisão, afirma o seu desacordo com a liturgia pré-conciliar que considera «pobre»:

«Tive a oportunidade de ser cura de ZUP e descobri que a liturgia, quando é vivida com pessoas sem meios para receber os discursos didáticos que tão bem sabemos fazer, nesse caso, são capazes de viver as coisas. Porque se vivem conjuntamente. A liturgia é viver o Evangelho com os pés, com as mãos, com o nariz, com todo o corpo […] A liturgia da minha infância era, mesmo assim, muito pobre. Era interessante, mas era muito pobre.»

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Missa de ordenação celebrada por Dom Planet em 7 de Julho de 2007 em Burkina Faso

Mais adiante, o Bispo de Carcassonne explica diplomaticamente que o Motu Proprio poderia engendrar uma contaminação entre os ritos. Tememos não ver o assunto do mesmo modo:

«Frequentemente, está-se suspenso entre duas liturgias. E é pena. Então, isso pode ir no sentido do enriquecimento que deseja o Santo Padre, pode ir no sentido das contaminações que impedem um e outro de existir. Assim, creio que é preciso dar toda a sua dimensão à reforma litúrgica do Vaticano II e que ainda há um grande trabalho por fazer».

A justiça para as Irmãs de Fanjeaux

Por fim, um pouco de história permite compreender o contexto do Departamento do Aude. Um dos lugares da resistência Católica para conservar a doutrina e a liturgia foi Saint-Dominique du Cammazou, em Fanjeaux, onde Madre Anne-Marie Simoulin, que tinha, com um bom número das Irmãs, tomado distância da sua comunidade em degeneração, fundaram, em Julho de 1975, uma obra unanimemente reconhecida, pois hoje tem 182 religiosas e fundou 9 novas casas.

O acolhimento do Bispo de Carcassonne foi dos mais glaciais, pois Dom Pierrer-Marie Puech, no ano seguinte, levou às religiosas, à maneira de boas vindas, um escrito que lhes impunha a dispensa dos seus votos religiosos. O decreto acrescentava:

«A missa não pode mais ser celebrada, em latim ou em francês, senão segundo o rito do Missal Romano promulgado por Paulo VI»…

Hoje, Dom Planet propõe-se fazer as confirmações nas escolas em que nós asseguramos a capelania. Mas convinha, primeiramente, que fosse feita justiça às Dominicanas de Fanjeaux, que sempre a mereceram.

Conclusão:

Dom Lefebvre, no seu tempo, estava habituado a solicitações canônicas prometedoras, garantindo-lhe que tudo seria aplanado em contrapartida de uma ou outra concessão simbólica. Longe de se deixar cegar por uma miragem canônica, sabia sobre que intenções repousavam tais promessas. Foi por esta razão que Dom Fellay pediu a Roma condições prévias para estabelecer um mínimo de confiança. Não será preciso, igualmente, tomar precauções na escala diocesana?

Uma vez mais, os fatos estão aí, perante nós, revelando as intenções profundas dos homens e provando, se ainda fosse preciso, o estado de urgente necessidade no qual se encontra a diocese sinistrada.

Devemos, amanhã, pedir uma confirmação que nos será recusada depois de amanhã? Em consciência, não podemos deixar  pregar aos nossos alunos um prelado que se dedica a familiaridades com os protestantes, os muçulmanos, ou os franco-maçons, os quais, nesta diocese, recebem mais atenções do que os Católicos, aos quais impõe habilmente condições, a fim de pôr fim a generosidades passadas.

Sabemos muito bem o sistema que a diocese engendrou, para não deixarmos entrar nas nossas escolas, mesmo em sermões, uma pastoral desautorizada pelos fatos. Hoje, olhando para todos os anos, não há mais do que um seminarista na diocese de Dom Planet. No seu departamento, a nossa escola São José des Carmes, situada em Montréal do Aude, tem, só por si, enviado aos seminários da Fraternidade trinta e nove vocações sacerdotais desde que ele é bispo (2004), sem contar neste número os padres anteriormente ordenados.

A árvore julgar-se-á pelos frutos, para consideração da prudência a adotar.

(1) Na sequência da aparição de outro artigo do Express nº 3010, datado de Março de 2009, Dom Planet mandou publicar uma “mensagem do bispo”, na qual confirmava a existência de um grupo de Católicos franco-maçons e persistia na utilidade desses encontros. A seguir à sua mensagem, Dom Planet viu-se obrigado a lembrar as diretivas da Igreja sobre a franco-maçonaria. Esta lembrança aparece como puramente platônica, em relação aos fatos patentes relatados no nosso dossiê…

Retirado e traduzido de laportelatine.org