Suíça: dois testemunhos sobre a perseguição aos Cristão no Egito e Iraque

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Amgad Rekz, Diácono Copta Ortodoxo, refugiou-se em 2004 na Suíça com sua mulher e testemunhou, em 20 de Fevereiro, na Catedral São Nicolau de Friburgo, que a revolução egípcia causa medo aos Cristãos, porque poderá levar os Irmãos Muçulmanos ao poder. «Mubarak mantinha os islamitas num canto, para os neutralizar, mesmo que, frente ao Ocidente, se servisse da ameaça terrorista para justificar a sua manutenção no poder. Agora, que saiu, há ainda menos segurança para os Cristãos».

Com efeito, o Procurador-geral egípcio lançou uma investigação contra Habib el-Adly, antigo Ministro do Interior. Este último é suspeito de ter fomentado o atentado contra a igreja Copta de Alexandria, na noite de Ano Novo, que causou 24 mortos, informou a Sociedade para os Povos Ameaçados (SPM), em 15 de Fevereiro, em Gotinguen, referindo-se a uma informação da cadeia de televisão Al Arabiya. Diplomatas britânicos e colaboradores dos serviços secretos teriam relatado que o próprio el-Adly constituiu o comando terrorista, a fim de apresentar, depois do atentado, o governo do Presidente Hosni Mubarak como a muralha do islamismo. Testemunhas oculares do banho de sangue confessaram o seu espanto à SPM por, apesar da ameaça real, quase todas as forças de segurança se terem retirado imediatamente antes do ataque à igreja, na qual estavam 2.000 pessoas.

O Ministro do Interior egípcio tinha dado várias versões diferentes do acontecimento, antes de acusar os terroristas estrangeiros da Al Caeda. Para o Cairo, o atentado foi planeado pelo Exército do Islão, estabelecido na Faixa de Gaza. Este último, contudo, sempre desmentiu qualquer participação no ataque.

O Padre Caldeu Astefan Mazin, da região de Dohouk, no Curditão iraquiano, não longe da fronteira turca, estudante de teologia na Universidade de Friburgo, falou também na Catedral de Friburgo. «Vítimas de ataques sangrentos em Bagda ou em Mossul, os Cristãos iraquianos acabam por ter saudade da época do ditador Saddam Husseim», deplora: «nessa época, desde que não se falasse contra Sadam, era-se rei!» Desde a invasão americana do Iraque, em 2003, mais de dois terços dos Cristãos abandonaram o país. «Já não somos mais de 400.000. Os Cristãos fugiram de Bassorá, onde ficaram apenas algumas famílias, e a situação em Mossul é dramática para eles…» O padre Caldeu admite que os Cristãos iraquianos de Bagda ou de Mossul, que buscaram refúgio no Curdistão iraquiano, aqui encontraram segurança física. «Mas não têm trabalho, arrendar uma casa está fora de suas posses! Nas aldeias reabilitadas, onde não existem infra-estruturas, os Cristãos vindos das cidades não podem ali permanecer: é outra cultura, outra mentalidade e ademais, para viver no Curdistão, é preciso falar curdo! A única solução que parece viável é procurar sair do país, ir para a Turquia ou para a Síria tentar obter um visto para a Austrália ou Canadá».

«É preciso ajudar os Cristãos a ficar nas suas terras, que ali possam trabalhar e viver em segurança, porque nos sentimos cada vez mais estramgeiros no nosso próprio país». O padre deseja que cada vez mais ações políticas sejam empreendidas, também da parte do Governo Suíço, para proteger os Cristãos do Médio Oriente [Próximo Oriente, em Portugal], antes que desapareçam dos lugares que viram nascer o Cristianismo.

Fontes: apic/kna – DICI n° 231 du 05/03/11