Festa da Sagrada Família

Quando Deus, na sua misericórdia, determinou que se cumprisse a obra da renovação do homem, que o mesmo esperara por tantas longas eras, Ele acertou e ordenou essa obra com tal sabedoria que bem no seu começo refulgiu para o mundo o augusto espetáculo de uma Família que se sabia ser divinamente constituída; para que aí todos os homens pudessem achar um modelo perfeito, tanto de vida doméstica quanto de todas as virtudes e ideais de santidade: pois que exatamente isso era a Sagrada Família de Nazaré. Nela, ocultamente, vivia o Filho da Retidão, até o tempo em que Ele deveria brilhar em total resplendor à vista de todas as nações. Nela Cristo, nosso Deus e Salvador, viveu com a Sua Virgem Mãe, e com aquele varão santíssimo, José, que Lhe fez as vezes de pai.

Ninguém pode duvidar de que essa Sagrada Família exibia todas as virtudes que podem ser desenvolvidas em uma vida doméstica ordinária, com seus mútuos serviços de caridade, suas santas inter-relações, e suas práticas de divina piedade, visto que a Sagrada Família foi destinada a ser um ideal para todas as demais. Isso pela mesma razão com que foi estabelecido pelos desígnios misericordiosos da Providência que todo cristão, em todos os caminhos de vida e em todo lugar, pudesse facilmente, desde que lhe preste atenção, ter diante de si um motivo e um ideal de boa vida (…) Para todos os pais de família, José é verdadeiramente o melhor modelo de vigilância e cuidado paternos(…) Na Santíssima Virgem Mãe de Deus, as mães encontrarão um excelente exemplo de amor, modéstia, resignação de espírito, e da perfeição da fé (…) E em Jesus, que era sujeito aos Seus pais, os filhos da família têm um ideal divino de obediência que podem admirar, reverenciar e imitar (…) Os que são de nascimento nobre possam aprender, dessa Família de sangue real, como viver simplesmente em tempos de prosperidade, e como reter sua dignidade em tempos de crise.

Os ricos possam aprender que os valores morais devem ser mais estimados que a riqueza. Os artesãos, e todos os que semelhantemente se afligem amargamente por causa dos recursos estreitos de suas famílias, se considerarem a sublime santidade dos membros desse grupo doméstico, não deixarão de encontrar algum motivo de alegria em sua sorte, ao invés de estar meramente insatisfeitos com ela. Assim como a Sagrada Família, eles precisam trabalhar e prover para as necessidades vitais diárias. José precisou dedicar-se ao comércio para viver; até as divinas mãos trabalharam numa oficina de artesão. Não seria de admirar que o mais rico homem, se verdadeiramente sábio, quisesse perder suas riquezas, e abraçar uma vida de pobreza com Jesus, Maria e José.

Breve “Neminem fugit”, 14/06/1892, Papa Leão XIII



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