Anúncio de um Motu Proprio relativo à Congregação para o Culto Divino

Retirado e traduzido de dici.org

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Em 9 de Fevereiro, enquanto a Imprensa italiana anunciava um Motu Proprio que daria “um aperto” aos abusos litúrgicos, o Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, informou que este documento teria por fim a transferência de certas competências da Congregação para o Culto Divino para o Tribunal da Rota, e não a promoção de um controle restritivo.

Como indicava, em Maio de 2010, a agência romana de Imprensa I. Media, o Motu Proprio em preparação visa transferir as competências respeitantes às dispensas de casamento – nos casos de uniões celebradas, mas não consumadas – de um para outro dicastério da Cúria Romana. Por agora, é a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que, indiretamente, por uma comissão especial de uns sessenta membros, está encarregada de conceder tais dispensas, que são da responsabilidade do Papa. Se bem que essas dispensas não sejam do tipo judiciário, serão em breve da responsabilidade do romano Tribunal da Rota.

O Padre Lombardi, por outro lado, precisou que não tinha «nenhum fundamento nem nenhuma razão» ver nesse Motu Proprio uma intenção de montar «um controle de tipo “restritivo”, da parte da Congregação para o Culto Divino, na promoção da renovação litúrgica querida pelo Concílio Vaticano II». «Isso não quer dizer que chega a polícia», nem que se manifeste a escolha de uma «nova política» na matéria, acrescentou, assim desmentido as afirmações do vaticanista Andrea Tornielliu no Il Giornale, para quem o Motu Proprio deveria «promover uma liturgia mais fiel às intenções de origem do Concílio Vaticano II», «com menos espaço para mudanças arbitrárias, a fim de favorecer o regresso de maior sacralidade».

Em Dezembro último, o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, tinha declarado que Bento XVI desejava «fazer brotar um novo movimento litúrgico, claro e vigoroso, em toda a Igreja», voltando atrás na “precipitação” com que a reforma litúrgica tinha sido implementada após o Concílio Vaticano II. Não hesitou, então, em falar de crise em matéria litúrgica, deplorando em particular «a perda do sentido do sagrado». Talvez isto tenha sido o que fez crer a alguns vaticanistas que estaria na forja um regresso a uma disciplina mais rigorosa no Motu Proprio em preparação. Sem razão, segundo os membros da Congregação para o Culto Divino, que não vêem no futuro documento pontifício se não uma alteração das suas competências em questões exclusivamente litúrgicas.

(Fontes: Imedia/VIS/Apic/ Il Giornale/La Stampa – DICI n°230 du 19/02/11)