As conversas teológicas entre a FSSPX e Roma abriram um espaço para a liberdade de debate sobre o Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II: mito e realidade

Síntese do XIX Congresso dos Estudos Católicos – Rimini 28, 29 e 30 de Outubro de 2011

O XIX Congresso de Estudos Católicos foi realizado, como de costume, em Rimini[1], de 28 a 30 de outubro 2011. Foram três dias de trabalhos intensos, nos quais se enfrentou, a partir de várias perspectivas, o problema do Concílio Vaticano II, da sua interpretação e das consequências factuais produzidas em quase cinquenta anos passados desde a sua abertura. O nível dos palestrantes e a amplitude de cada intervenção individual tornam simples a obra de quem é chamado a sintetizar um material tão ingente.


Os trabalhos foram abertos na noite de sexta-feira, 28, com a exposição histórica da Dr.ª Elena Bianchini Braglia[2] (Dal Risorgimento rivoluzionario all’aggiornamento conciliare), uma sólida dissertação retrospectiva que evidenciou como muitas das raízes da crise pós-conciliar possam ser facilmente encontradas a partir da Revolução Francesa e, no que respeita a Itália, a partir do Ressurgimento. A Tomada de Roma[3], ocorrida em 20 de setembro de 1870, ao contrário do que sustenta a maioria dos historiadores católicos contemporâneos, tornou objetivamente mais fraco e inseguro o papado, facilitou as infiltrações maçônicas e, sem dúvida, favoreceu indubitavelmente a obra dos chamados ‘católicos liberais’.

 

A apresentação, portanto, percorreu, desde a contraposição oitocentista entre ‘católicos intransigentes’ e ‘transigentes’, a luta, sempre mais fraca por causa, provavelmente, do irromper do socialismo na cena europeia, contra o catolicismo liberal; o choque terrível, ganho apenas por algumas décadas, graças a São Pio X, com os teólogos modernistas e, finalmente, a aniquilação da doutrina social da Igreja pela Democracia Cristã[4], fundada por Romolo Murri[4], e pelo Partido Popular[6] de Dom Sturzo[7]. No início dos anos 60, portanto, a orientação cultural prevalente entre os católicos, após um processo de desagregação que durou mais de um século, estava efetivamente pronta para receber o ‘aggiornamento’ que trará o Concílio Vaticano II.


A manhã de sábado foi aberta com a intervenção, realmente aprofundada e envolvente, do Prof. Matteo D’Amico[8] (Oltre il mito dell’ermeneutica della continuità . Il problema del rapporto fra fede cristiana e età moderna), uma presença constante nas últimas edições do congresso de Rimini. Ele se propôs de analisar em profundidade o famosíssimo discurso de Bento XVI à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2005, a alocução universalmente conhecida como a origem do magistério da chamada ‘hermenêutica da continuidade’.

 

Quatro perguntas abrem o documento:
1.  Qual foi o resultado do Concílio?
2.  O Concílio foi acolhido de modo justo?
3.  O que foi justo, o que foi errado?
4.  O que resta ainda a ser feito?


D’Amico faz notar como, diante de quatro perguntas, existam apenas três respostas. A primeira questão, que afinal é a questão fundamental, ‘Qual foi o resultado do Concílio?’ permanece pendente. Este elemento já demostra como a linguagem adotada não seja analítica e precisa. Usam-se, então, indiferentemente os termos ‘interpretação’ e ‘hermenêutica’, como se fossem sinônimos. Assim, entretanto, não é, mesmo se os dois substantivos apresentem alguns significados comuns, mas não todos: a palavra ‘hermenêutica’, pelo contrário, é a base da linguagem filosófica existencialista do século XX. Não é um termo da teologia clássica e tomista. D’Amico se pergunta, em seguida, quais seriam os destinatários do discurso. Os ‘técnicos’ são certamente os cardeais da Cúria Romana. Pelo contexto pode-se, no entanto, pensar que a exortação seja dirigida em geral aos teólogos. Mas… a quem cabe a tarefa de interpretar os textos normativos do Magistério se não ao próprio Magistério? Por qual motivo, se a interpretação a ser seguida é a da continuidade, nunca se fez nada e se continua a não fazer nada contra aqueles que seguem, imperturbados, uma via diametralmente oposta? O orador dá, a este respeito, numerosos exemplos, entre os quais um de estreita atualidade:


“Por que – afirma – não se toma qualquer providencia contra o card. Ravasi que, nas colunas do Avvenire[9], apenas alguns dias atrás, afirmou que se faz necessário chegar a um ‘mea culpa’ por causa das ‘injustas perseguições adotadas contra os modernistas e contra o escritor Antonio Fogazzaro[10] em particular’?”


Mas o próprio Bento XVI declara abertamente que o escopo do Concílio foi “a redefinição das relações entre a Igreja e o mundo moderno”. Se estas relações devem ser redefinidas significa que é necessária implicitamente uma ruptura com o Magistério precedente, o qual, pelo contrário, havia sempre condenado os erros da sociedade contemporânea. Mas D’Amico conclui, introduzindo assim o assunto seguinte, considerando como, embora cada texto necessite de qualquer modo de interpretação, o Magistério deveria ter uma sua força intrínseca, um valor em si, compreensível, pelo menos em termos gerais, por todos e imediatamente. Se o verdadeiro significado de um ato magisterial requer um longo processo hermenêutico e se, acima de tudo, tal processo levou quase todos os exegetas, por quase meio século, por uma estrada errônea, significa indubitavelmente que no próprio texto há algo que não se encaixa, no mínimo algo ambíguo e pouco claro.


Chegou, a este ponto, a interessante participação do Prof. Mario Palmaro[11] (La nuova Babele teologica. La rinuncia al linguaggio giuridico e le sue conseguenze), que se concentrou exatamente sobre o problema da comunicação nos documentos conciliares. De acordo com o orador, a linguagem de que a Igreja Católica se apropriou, ao longo dos séculos, se encentrou essencialmente em três pontos:


1.  O latim
2.  A pregação apologética
3.  A linguagem definitória e jurídica

 

Estes elementos representam os três pilares seculares da comunicação eclesiástica. O latim, precisamente por ser uma língua morta, resulta muito útil nas definições, pelo fato de não ser sujeito à mutação de significado das palavras, típica das línguas faladas. O uso do latim, portanto, tem sempre facilitado a transmissão dos conceitos teológicos de uma geração para outra. A dificuldade do latim, era, porém, mitigada, na prática diária, pela pregação apologética, que ajudava os fiéis a compreender concretamente as verdades de Fé e os erros que poderiam por em risco essas verdades. O Prof. Palmaro, contudo, concentrou sua atenção na linguagem definitória e jurídica.

 

Ele apontou quatro características principais de tal linguagem: assertividade, categoricidade, segurança, sinteticidade. Para poder discutir teses é necessário que estas sejam formuladas com clareza, utilizando fórmulas breves e precisas. Todos os cânones de uma correta comunicação insistem sobre a brevidade das mensagens e sobre o número limitado de conceitos a ser lançados com uma única mensagem. Quanto mais longa é a mensagem, mais fácil se torna não compreendê-la ou mal interpretá-la; mais são os conteúdos de uma frase, menos serei seguro de ter conseguido transmiti-los eficazmente.


Sob estes aspectos, a linguagem do Concílio Vaticano II é o que de mais anti-comunicativo se possa imaginar: os documentos são prolixos, complexos e altamente articulados, textos longos, cheios de incisos, períodos dilatados, conceitos esboçados e depois retomados em outros lugares, exposição cansativa. Parece, sem dúvida muito mais moderna a exposição do Concílio de Trento ou do Vaticano I. Se o escopo era explicar melhor a Fé ao homem moderno, indubitavelmente o objetivo não foi atingido.


Após a palestra do Prof. Palmaro, Dom Davide Pagliarani, Superior do Distrito Italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, dirigiu ao orador uma série de perguntas, visando ilustrar o livro escrito a quatro mãos pelo palestrante com Alessandro Gnocchi[12]: ‘A Bela Adormecida. Porque depois do Vaticano II a Igreja entrou em crise. Porque despertará’, das Edições Vallecchi.


A tarde abriu-se com a participação de dom Emmanuel du Chalard[13], que introduziu a conferência de Cristina Siccardi[14], cujo tema foi seus dois livros: ‘Maestro in Sacerdozio. La spiritualità di Monsignor Marcel Lefebvre’[15] (Sugarco Ed.) e ‘Giuseppe Cafasso. Un Santo del Risorgimento’[16] (Paoline Editoriale Libri). A autora observou, entre outras coisas, que, através de documentos inéditos, foi possível reconstruir a formação e a profunda espiritualidade de Mons. Lefebvre, que teve duas vocações: ser um digno sacerdote e formar santos sacerdotes. Alguns dos maiores intérpretes do Catolicismo, de São Tomás de Aquino a Dom Marmion[17], de Chautard[18] a Santo Agostinho, de São João Crisóstomo[19] a Père Emmanuel André[20]… foram os mestres de Mons. Lefebvre. “Stat crux dum volvitur orbis” (A Cruz permanece fixa enquanto o mundo gira) dizia São Bruno[21], fundador dos Cartuxos, assim também foi para o fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X; ao contrário do que aconteceu com o Concílio Vaticano II e o que se seguiu, quando ao centro foi colocado o caos do mundo, e dele foi jogada fora a Cruz.


O Prof. Massimo De Leonardis[22](Gli effetti di secolarizzazione della Dignitatis Humanae. L’ermeneutica dei fatti), docente de História das Relações Internacionais da Universidade Católica de Milão, concentrou-se sobre os efeitos práticos determinados pela declaração conciliar ‘Dignitatis Humanae’. Relembrou, primeiro, brevemente, a história e a dura contraposição surgida, à época, entre o Card. Ottaviani[23] e o Card. Bea[24]. Ambos apresentaram para este documento esquemas radicalmente contrapostos um ao outro. A batalha se desenvolveu até o último dia antes do encerramento do Concílio, e, apesar das modificações realizadas, os ‘non placet’ foram mais de setenta. Após a aprovação, de qualquer maneira, para além das hermenêuticas, foram os fatos que esclareceram amplamente que o documento se colocava em evidente ruptura com a Tradição bimilenar da Igreja. O Prof. De Leonardis, de fato, repassou, com riqueza de dados, os acontecimentos dos diferentes tratados e convenções entre a Igreja e os Estados a partir de 1970. Na Colômbia, no Peru, no Cantão Suíço de Valais, em Portugal e na Espanha foram os próprios Núncios Apostólicos a pedir, explicita e insistentemente, que as Constituições apagassem de seus textos a referência à religião Católica como a única religião de Estado. Uma atitude que, poucos anos antes, teria parecido inconcebível na diplomacia vaticana. Analisando-se também o Tratado italiano de 1983, pode-se notar imediatamente, até por nós, a absoluta ausência de qualquer referência à confessionalidade[25] do Estado, e isto, como é amplamente demonstrado, a pedido explicito da Santa Sé. “Contra factum non valet argumentum”, pois. Pode-se, , então, exaltar à vontade a hermenêutica da continuidade… Entretanto, a ruptura foi e é a realidade, e a realidade não pode ser negada.


Depois da apresentação de Massimo De Leonardis, tomou a palavra, brevemente, Dom Emmanuel du Chalard, grande colaborador de Mons. Lefebvre. Ele aproveitou a oportunidade para informar que tem feito pesquisas nos arquivos do Concílio a fim de compreender claramente qual foi o comportamento do fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X por ocasião da votação sobre a ‘Dignitatis Humanae’. Seu voto foi sempre contrário. É verdade, no entanto, que a sua assinatura aparece no ato de promulgação do documento, mas tal assinatura, de acordo com os regulamentos que haviam sido alterados pouco tempo antes, tinha essencialmente um significado de simples testemunho em relação à promulgação papal havida. Ele, em outras palavras, com aquela assinatura, limitou-se a testemunhar de ter assistido à promulgação que se dera, mas não teve a intenção de aprovar o documento.


Dom Emmanuel du Chalard, em seguida, apresentou o Dr. Roberto Galbiati[26], que apresentou os ‘Cadernos de San Rafael’, uma revista que trata de todos os temas inerentes à vida e da qual acaba de ser lançada a sétima edição, dedicada à morte e ao morrer. Os números precedentes, todas monográficos, trataram sobre a eutanásia (n. 1), as células-tronco (n. 2), o sofrimento e o sofrer (n. 3), o aborto (nn. 4 e 5) e a inseminação artificial (n. 6). Para informações e assinaturas, pode-se escrever para o e-mail [email protected].


A densa manifestação foi, em fim, concluída por Dom Davide Pagliarani[27], Superior do Distrito Italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Vera e falsa idea di Tradizione. Il nodo del problema). Em suas palavras pode-se ler, certamente, ainda que nas entrelinhas, algumas considerações relativas ao atual delicado momento das relações entre a Fraternidade e as autoridades romanas. Dom Davide focou seu discurso sobre o significado da palavra Tradição na teologia católica. Ela nada mais é que a defesa e a transmissão fiel, de geração em geração, do ‘depositum fidei’, que nos foi revelado por nosso Senhor Jesus Cristo. A Tradição é, portanto, uma fonte de revelação superior às próprias Escrituras. As Escrituras, de fato, nascem da Tradição, e é a Igreja que, baseando-se nesta, atesta também o cânon das Escrituras. Nos últimos anos, contudo, está-se assistindo a uma mudança significativa do próprio conceito de Tradição. Tende-se a contrapor uma suposta ‘Tradição vivente’ a uma ‘Tradição petrificada’. Este última teria sido apropriada, erroneamente, pelos tradicionalistas. O termo ‘Tradição vivente’, de per si, não é errôneo. Foi usado, até mesmo antes do Vaticano II, sobretudo para contrapô-lo ao termo ‘Só Escritura morta’, dos protestantes. Mas o que não se pode aceitar é, no entanto, o conceito existencialístico de tradição vivente.


Nesta acepção, a tradição já não teria o significado de transmitir os conteúdos da Fé, acolhidos como dogmas, as Verdades morais etc. Ela teria, mais, a função de ‘reatualizar’ a experiência de fé dos primeiros cristãos. O objeto seria a experiência, um clima cultural, um estado de espírito, uma emoção. De acordo com a filosofia existencialista, de fato, o conhecimento não é, como em São Tomás, a adequação do intelecto humano à coisa que se quer conhecer. Para eles, o conhecimento depende do sujeito, de sua situação pessoal, contingente, e do humor do momento. A verdade deve ser, portanto, continuamente reatualizada, revivida, reelaborada. Por exemplo: “Se eu falar a vocês sobre a tradição agora que estão cansados, ela se torna chata e triste. Se falar a vocês sobre isso amanhã de manhã, que já estarão descansados, torna-se algo bonito e atraente”. Não que isso fenomenologicamente não tenha uma sua verdade, mas tal verdade diz respeito à recepção do sujeito e não à ‘coisa conhecida’ [Tradição] em si. Esta concepção existencialista da Tradição está, provavelmente, na base da proliferação do Magistério moderno: montanhas de papel, milhares de documentos sempre à procura de fixar um algo que, contudo, não é fixável, porque mudam as situações, os ouvintes e, portanto, também deve mudar a percepção da doutrina. Um magistério ‘desesperado’, obrigado a perseguir algo que não para nunca.


Se for este, então, o conceito de tradição com o qual a Fraternidade deve confrontar-se se torna certamente difícil entender-se com os interlocutores que, muitas vezes, dão um significado diferente às mesmas palavras; um significado, entre outras coisas, mutável e difícil de fixar. Sabemos, no entanto, que, quando Deus quiser, esta crise, de qualquer maneira, vai passar. Por isso, devemos ser constantes e rogar a Maria, que consegue realizar até empreendimentos que humanamente parecem impossíveis.


Marco BONGI


(vídeo com o álbum fotografico do congresso e trechos das conferências no áudio)


Fonte: FSSPX/Italia.
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

[1] NdTª.: Rimini, cidade italiana da Província da Emília-Romanha, onde a FSSPX tem mais um Priorado, uma das últimas aquisições, no qual há uma capela que é a fiel reprodução da Santa Casa de Loreto, de onde o nome do Priorado Madonna di Loreto. Todos os anos, acontece um congresso de estudos católicos, no dia da Festa de Cristo Rei. O prior atualmente é o Pe. Pierpaolo Maria Petrucci. A comunidade é constituída, ainda, de mais quatro sacerdotes e três irmãs Discípulas do Cenáculo.

[2] NdTª.: Elena Bianchini Braglia é uma filósofa, escritora e historiadora italiana, diretora-editora da Revista Terre Estensi (Terras Estenses – ou seja, das terras pertencentes à nobre família dos Duques d’Este, feudatários do Papa, guelfos), presidente do Centro Studi sul Risorgimento e gli Stati Preunitari (Centro de Estudos sobre o Ressurgimento e os Estados Pré-unitários – isto é, dos Estados que existiam antes do Ressurgimento e da unificação da Itália). O tema da conferência da Dr.ª Braglia foi: ‘Do Ressurgimento revolucionário ao aggiornamento conciliar’.

[3] NdTª.: La presa di Roma, conhecida também como Breccia di Porta Pia (Brecha de Porta Pia), foi um episódio do Ressurgimento italiano que sancionou a anexação de Roma ao novel Reino da Itália, decretando o fim do Estado Pontifício e do poder temporal dos Papas. Em 1871, a capital do reino foi transferida de Florença a Roma. Papa Pio IX condenou fortemente o ato com o qual a Cúria Romana viu retirado o secular domínio sobre Roma. Retirou-se no Vaticano, declarando-se ‘prisioneiro’ até sua morte, e intimou os católicos – com o célebre decreto Non Expedit [vide nota 6] – a não participar mais, a parti daquele momento, da vida política italiana. O parlamento italiano, para tentar resolver a questão, promulgou, em 1871, a Legge delle Guarentigie (Lei das Garantias), mas o Papa não aceitou a solução unilateral de pacificação proposta pelo governo. Esta situação, indicada como a ‘Questão Romana’, perdurou até os Patti Lateranensi (Tratado de Latrão) de 1929.

[4] NdTª.: Democrazia Cristiana (Democracia Cristã) foi um movimento político italiano fundado, em 1901, por Romolo Murri [vide nota seguinte]. Este movimento, que foi tolerado pelo Papa Leão XIII, mas não pelo Papa São Pio X, nasceu dentro da Opera dei Congressi (Obra dos Congressos), uma organização católica (1874) que se baseava na observância das posições da Igreja Católica, reportando-se particularmente ao Non Expedit [vide nota 6] de Papa Pio IX. Sua finalidade era tutelar os direitos da Igreja, reduzidos ao mínimo depois da unificação da Itália; promover as obras de caridade cristã (depois que a legislação anti-eclesiástica as dissolveu), coordenando as atividades promovidas pelas associações católicas. Foi dissolvida por causa de movimentos como o de Romolo Murri.

[5] NdTª.: Romolo Murri foi um político e sacerdote italiano. Amigo de dom Sturzo [vide nota 7], foi um dos expoentes do Modernismo Católico. Tanto Murri como dom Sturzo simpatizavam com as ideias socialistas do marxista Filippo Turati, com o qual pretendiam percorrer um “caminho que se poderia fazer juntos nas agitações populares, nas administrações locais e, eventualmente, em Montecitorio (sede do Governo Italiano)”. Disso nasceu a Lega Democratica Nazionale (Liga democrática Nacional). Também por causa disto, em 1906, o Papa São Pio X escreveu a Encíclica ‘Pieni l’animo’, na qual deplorou “o espírito de insubordinação e de independência que se manifesta aqui e acolá no meio do clero”, e impôs a proibição de participação [aos católicos] em atividades políticas não coordenadas pelas vias hierárquicas; em particular proibiu a adesão à Lega Democratica Nazionale de Murri e Fuschini (presidente do partido). Murri foi primeiro suspenso a divinis (1097) e depois excomungado (1909); a excomunhão foi levantada em 1943, pelo Papa Pio XII.

[6] NdTª.: Partito Popolare Italiano (Partido Popular Italiano) foi um partido político da Itália, fundado em 1919 por Dom Luigi Sturzo [vide nota 7], entre outros. Dizia-se inspirado na doutrina social da Igreja, mas flertava com o socialismo de Filippo Turati. O brasão escolhido – conservado depois pela Democracia Cristã (partido político fundado em 1942) – foi o do Escudo Cruzado, com o lema Libertas, representando, de um lado, a defesa dos valores cristãos e, de outro, a ligação com as Livres Comunas medievais italianas. Existiu por apenas sete anos. Seus fundadores e participantes foram condenados ao exílio ou ao ostracismo. Dom Sturzo, em particular, fora afastado a pedido de Papa Pio XI, para o qual um sacerdote não deveria estar na direção de um partido político, nem aliar-se a partidos de oposição anticatólicos e promovidos pela Maçonaria. Este partido surgiu logo após a ab-rogação, pelo Papa Bento XV, da disposição Non Expedit (já em desuso naquela época), pela qual o Papa Pio IX, em 1868, declarou inaceitável que os católicos italianos participassem das eleições políticas do Estado Italiano que surgia, e, por extensão, da vida política também. A proibição era motivada pelo fato de que os católicos, participando da politica italiana, passavam a reconhecer ao novo Estado Italiano uma legitimidade que os Pontífices, pelo menos até Pio X, não reconheciam, pois haviam perdido, por causa da unidade italiana, o poder temporal, absolutamente necessário para a independência do Pontífice. Assim, Papa Pio IX si exprimia, em 1874: “a escolha [política] não é livre, porque as paixões políticas opõem muitos e poderosos obstáculos. E mesmo que fosse livre, restaria ainda um obstáculo ainda maior para superar, o do juramento que cada um é obrigado a prestar, sem nenhuma restrição. Este juramento, notai bem, deveria ser prestado em Roma, aqui na capital do Catolicismo, aqui debaixo dos olhos do Vigário de Jesus Cristo […] deve-se jurar de sancionar o espólio da Igreja, os sacrilégios cometidos, o ensino anticatólico…” (G. Martina, Pio IX (1867-1878), p. 275). Os pontificados seguintes foram gradualmente superando este problema e os católicos foram aos poucos se organizando politicamente, surgindo o movimento clérigo-moderado. A encíclica de 1904, ‘Fermo Proposito’, mesmo conservando o non expedit, permitia exceções mais amplas, que se multiplicaram, permitindo a vários católicos se elegerem, mas a título pessoal.

[7] NdTª.: Luigi Sturzo foi um sacerdote e político italiano. Em 1902, ignorando o Non Expedit [vide nota 6], começou sua caminhada política. Em 1905 foi nomeado para um cargo público. Em 1915, já membro ativo da Ação Católica Italiana, tornou-se seu secretário-geral. Em 1919, fundou o Partito Popolare Italiano, lançando um manifesto chamado ‘l’Appello ai Liberi e Forti’ (O Apelo aos Livres e Fortes), que continha uma mistura de ideologias: princípios do popularismo, da doutrina social da Igreja, do conservadorismo, do liberalismo e, até, do socialismo. O apelo chamava a todo, sem distinção de confissão ou crença; defendia e exaltava a Sociedade das Nações (predecessora da ONU e com uma visão próxima da NOM); defendia a liberdade religiosa, a liberdade de ensino, o papel dos sindicatos e um começo de feminismo. Exilado na Europa e, depois, nos EUA, dom Sturzo funda em terras norte-americanas o People and Freedom Group, um grupo aberto a não-católicos. Regressou na Itália em 1946, onde começou a defender a livre iniciativa. Ele pretendia dar uma alternativa católica e social ao movimento socialista. Defendia a total independência entre política e Igreja, e a liberdade individual. Foi o idealizador do Popularismo (Cristianismo democrático), doutrina política autônoma, que seria a ‘versão prática’ da doutrina Social da Igreja, ‘enriquecida’ de seu pensamento particular e de seu trabalho.

[8] NdTª.: Matteo D’Amico é docente de história e filosofia, e responsável pelos cursos de formação para professores da Associazione Europea Scuola e Professionalità. Também é professor, filósofo e ensaísta. O tema da conferência do Prof. D’Amico foi: ‘Para além do mito da hermenêutica da continuidade. O problema da relação entre a fé cristã e a idade moderna’.

[9] NdTª.: Avvenire é um cotidiano italiano de ‘inspiração católica’, mas que se arroga a plena autonomia em relação à hierarquia da Igreja.  Fundado em 1967, da fusão de dois jornais já existentes, a pedido de Papa Paulo VI, que via a necessidade de “um instrumento de evangelização, de diálogo com o mundo moderno e, portanto, de missão”. É mantido pela Conferencia Episcopal Italiana, mas absolutamente independente dela. O primeiro presidente veio de outro jornal – Il Popolo (O Povo) – que fora o braço na mídia de dom Sturzo [vide nota 7].

[10] NdTª.: Antonio Fogazzaro foi um célebre escritor e poeta italiano. Sua obra explora os conflitos entre a razão e a fé, sob a luz de um catolicismo liberal. Candidato três vezes ao Nobel pela Literatura, nunca o ganhou. Aderiu, sem reservas, ao evolucionismo darwiniano, mas queria conciliá-lo, por escrúpulos, com o Criacionismo católico. Ele também acreditava, como Antonio Rosmini (condenado pelo Papa Leão XII em 1888, mas beatificado pelo Papa Bento XVI em 2007, em reconhecimento de suas virtudes heroicas. De dizer que Papa João Paulo I laureou-se na Pontifícia Universidade Gregoriana com a tese A origem da alma, segundo Romini), que a alma não se formaria no momento da concepção, mas depois de certo grau de desenvolvimento. Sobre Romini, Fogazzaro escreveu: “é o propugnador da unidade italiana, das instituições liberais e de uma reforma eclesiástica; o opositor formidável de certos teólogos e moralistas e, sobretudo, o patrono, por assim dizer, de uma espécie de oposição constitucional católica, que ousa desaprovar a ação do partido preponderante na Igreja”. Fogazzaro decepciona-se com a eleição de Giuseppe Sarto, após o falecimento de Leão XIII. Depois se solidariza com outro herético: Alfred Loisy. Então, escreve um livro, que foi um sucesso de crítica e público: O Santo, que foi colocado no Index librorum prohibitorum (1906). Fogazzaro fez ato de obediência ao decreto sobre O Santo, mas continuou insistindo em suas ideias liberais e modernistas, vindo a escrever mais um livro, Leila, que também foi colocado no Index, em 1910.

[11] Mario Palmaro é filósofo do direito e bioético. Presidente nacional do Comitato Verità e Vita (Comitê Verdade e Vida), escreve para os periódicos il Timone e il Giornale. Docente da Universidade Pontificia Regina Apostolorum e da Universidade Europea de Roma. Seu artigo ‘Ma questo è un uomo (Mas este é um homem, Ed. San Paolo, 1995) é considerado um dos estudos italianos mais completos sobre o tema do aborto provocado. É também escritor, costumando escrever a quatro mãos com Alessandro Gnocchi. O tema da conferência de Palmaro foi: ‘A nova Babel teológica. La renúncia à linguagem jurídica e as suas consequências’.

[12] Alessandro Gnocchi é filósofo, historiador e jornalista profissional. Estudioso da vida do escritor italiano Giovannino Guareschi, sobre o qual já escreveu vários ensaios. Faz par com Mario Palmaro como escritor.

[13] NDTª.: Emmanuel du Chalard de Taveau é sacerdote da FSSPX, diretor do ‘Courrier de Rome’ (versão francesa da revista Sì sì, no no) e foi um dos primeiros colaboradores de Mons. Marcel Lefebvre. Desde os primeiros anos na Itália, foi um dos mais importantes artefices da difusão da FSSPX em solo italiano. Desde então, sempre manteve relações informais com a Santa Sé em nome da Fraternidade, adquirindo um particular conhecimento dos diferentes eventos que caracterizaram a relação entre Roma e Ecône.

[14] NdTª.: Cristina Siccardi é uma historiadora italiana, colaboradora de La Stampa, La Gazzetta del Piemonte, Il Nostro Tempo, La Voce del Popolo, L’Osservatore Romano, Avvenire, e diversos periodicos culturais e religiosos. É membro das academias Paestum, Costantiniana, Ferdinandea, Archeologica italiana, e sócia fundadora do Centro Studi Storici sulla Controrivoluzione (Centro de Estudos Históricos sobre a Contrarrevolução). Escritora autora de mais de quarenta importante livros, dos quais um deles se tornou filme: Mafalda di Savoia. Il coraggio di una principessa (Mafalda de Saboia. A coragem de uma princesa).

[15] NdTª.: Tradução: ‘Mestre em Sacerdócio. A espiritualidade de Mons. Marcel Lefebvre’

[16] NdTª.: Tradução: ‘José Cafasso. Um santo do Ressurgimento’.

[17] NdTª.: Columba Giuseppe Marmion (1858-1923), irlandês, foi um abade beneditino do mosteiro de Maredsous (Bélgica) e escritor. Inspirando a sua teologia na teologia paulina, escreveu obras ascéticas de valor e, sobretudo, de forte influência sobre os jovens de seu tempo, como por exemplo: ‘O Cristo, vida da alma’ (1914) e ‘O Cristo nos seus mistérios’ (1919), que constituem também um acréscimo consistente à doutrina do mistério de Cristo.

[18] NdTª.: Jean-Baptiste Chautard (1858-1935) foi religioso cisterciense da estrita observância, eleito (1897) abade da Trapa de Chambaraud (Grenoble) e (1899) de Sept-Fons (Moulins). No seu longo governo, foi obrigado a ocupar-se dos problemas temporais relativos à sua ordem, e defendeu-a contra a política antirreligiosa do seu tempo. Perfeito modelo da união entre a vida contemplativa e a ativa, traçada em ‘A alma de todo apostolado’, chegou a impor-se, com a sua personalidade, ao ministro Clémenceau, convencendo-o a mitigar a sua atitude contra as ordens contemplativas. Foi um dos pilares da vida interior de Mons. Lefebvre.

[19] NdTª.: João Crisóstomo (349-407) foi um teólogo e escritor cristão, arcebispo de Constantinopla. Sua deposição em 404 produziu uma crise entre a Santa Sé e a Sé Patriarcal. Pela sua inflamada retórica, ficou conhecido como Crisóstomo (que em grego significa ‘boca de ouro’). É considerado Santo pelas Igrejas Romana e Ortodoxa. Junto com Gregório de Nanzianzo, Gregório de Nissa e Basílio de Cesárea, é um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental. É, ainda, Doutor da Igreja Católica. A produção teológica de São João Crisóstomo é extraordinariamente vasta e composta fundamentalmente por sermões, ainda que contenha também alguns tratados de importância considerável e um significativo número de cartas. Era tido como antissemita e, após a sua morte, os seus oito sermões acerca dos judeus circularam por toda a Igreja e foram traduzidos, entre outras línguas, para o latim, o sírio e o russo. Fragmentos destes sermões foram incluídos na Liturgia Bizantina para a Semana Santa, mas dela foram removidos no século XX.

[20] NdTª.: Emmanuel André (1826-1903), prior do mosteiro de Mesnil-Saint-Loup, tinha grande zelo apostólico e uma forte devoção mariana: instituiu o culto à Nossa Senhora da Santa Esperança. Sobre o tumulo do Père Emmanuel, lê-se este versículo de São Paulo: “Mihi autem absit gloriari, nisi in cruce Domini nostri Iesu Christi” (“Longe de mim gloriar-me, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” – Gl 6,14). Ele resume numa só inspiração duas das maiores virtudes do Père Emmanuel: a humildade e o amor da cruz. A cruz foi a companhia indissolúvel de toda a sua vida, o selo do Cristo em sua obra. Realmente, se Père Emmanuel foi um homem escondido na sombra pela humildade, foi um filho da luz pela pregação, pelo constante cuidado em propagar a fé e instruir. E não é dos menores aspectos de sua obra esta luz que ele espalhou, muitas vezes muito longe, por sua palavra e seus escritos, numa época onde a ignorância religiosa e o liberalismo obscureciam os espíritos. Escreveu o impressionante livro: ‘O Drama do Fim dos Tempos’.

[21] NdTª.: Bruno de Colônia (1035-1101) foi um monge alemão, fundador da Ordem dos Cartuxos, proclamado Santo pela Igreja Católica. A Ordem dos Cartuxos é considerada a mais rígida de todas as ordens da Igreja e atravessou a história sem reformas. Já cinquentenário e cônego, amadureceu a inspiração de servir a uma Ordem religiosa e, após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se à uma região chamada Cartuxa. São Bruno começou sua obra a partir do coração quente de amor por Jesus e o Reino. Com companheiros, observava-se absoluto silêncio, a fim do aprofundamento na oração e à meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos. Quando um de seus discípulos se tornou Papa (Urbano II), teve ele que obedecer ao Vigário de Cristo, já que o queria como assessor, porém, recusou ser bispo e, após pedir com insistência, conseguiu voltar à vida religiosa, quando juntamente com amigos de Roma, fundou no sul da Itália o mosteiro de Santa Maria da Torre, aonde veio a falecer. As últimas palavras foram: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica; em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo”.

[22] NdTª.: Massimo de Leonardis é professor universitário, escritor, ensaísta, articulista, conferencista, fundador do comitê Coordinamento Nazionale Anti-89 Italia (Coordenação Nacional Anti-89 Itália) e do Comitato Internazionale per la celebrazione del bicentenario delle insorgenze popolari antigiacobine (Comitê Internacional para as celebrações do bicentenário das insurgências populares jacobinas). Escreve para vários periódicos: Una Voce (do qual é vice-presidente), Controrivoluzione, La Tradizione Cattolica, L’Alfiere, Traditio, Monarchia Oggi, Royal Stuart Review, Civitas Christiana, Chiesa viva, Lepanto e Studi Cattolici. Presidente do júri do Premio letterario Tito Casini e sócio honorário da Accademia di Santa Chiara (fundada pelo card. Siri) e acadêmico príncipe da Accademia Olubrense (Centro Internazionale Studi Storici e Storico-Ecclesiastici – Centro Internacional de Estudos Históricos e Históricos-Eclesiásticos). Fonte. O tema da conferência do Prof. De Leonardis foi: ‘Os efeitos de secularização da Dignitatis Humanae. A hermenêutica dos fatos’.

[23] NdTª.: Alfredo Ottaviani (1890-1979) foi um cardeal italiano, chamado de ‘guardião da fé’ por ter sido um rigoroso defensor da Tradição e um forte opositor das reformas na Igreja. Era chamado também de ‘o homem das excomunhões’. Participou do Coetus Internationalis Patrum. O Concílio Vaticano II, a reforma da Cúria e o início das atividades do Sínodo Episcopal foram para ele um golpe excessivo. Nomeado pelo Papa presidente da Comissão Doutrinal, Ottaviani viu implementarem-se, especialmente nas aplicações distorcidas do Concílio, algumas das posições contra as quais ele havia mais se oposto e temido (abusos litúrgicos, distorções doutrinárias etc.). Ele se mostrou contra também a reforma do Santo Ofício e a abolição do Índice dos livros proibidos e do juramento anti-modernista. Em 1968, entregou sua demissão e em 1969 escreveu, junto com o Card. Antonio Bacci, uma carta, conhecida como ‘a intervenção Ottaviani’, ao papa Paulo VI, na qual exprimia sua oposição à reforma litúrgica e, especialmente, ao novo missal romano ou Novus Ordo Missae, então prestes a entrar em vigor. Entre suas intervenções mais conhecidas, houve, em 1962, a redação do atento documento Crimen sollicitationis (crime de provocação ou de aliciamento), reservado a todos os Bispos, no qual eles eram instruídos sobre as modalidades de gestão dos casos de pedofilia (sollicitatio ad turpia – provocação para coisas obscenas – praticada durante o Sacramento da Confissão) dentro da Igreja. Nele foi prevista, para episódios mais graves, a excomunhão para quem não acatasse o documento, o qual foi aprovado pelo Papa João XIII. O documento foi parcialmente ‘revisto’ (2001) pela carta De delictis gravioribus (acerca dos delitos mais graves), do então Card. Ratzinger.

[24] NdTª.: Augustin Bea (1881-1968) foi um cardeal alemão, pioneiro e propugnador do ecumenismo e do diálogo judaico-cristão na Igreja Católica. O sonho de Bea se realizou quando se tornou um dos protagonistas do Concílio Vaticano II, empenhando-se pessoalmente na redação da declaração Nostra Aetate. Participou do conclave de 1963, que elegeu o Papa Paulo VI. Foi autor de dez livros e 430 artigos científicos sobre arqueologia, exegese do Antigo Testamento, Mariologia, encíclicas papais, unidade dos Cristãos, antissemitismo, CVII, relações com o protestantismo e as Igrejas ortodoxas e ecumenismo.

[25] NdTª.: Um Estado confessional é aquele no qual há uma religião (a religião de Estado) oficialmente reconhecida pelo Estado, o que não deve ser confundido com uma teocracia. Estados que não possuem religião oficial são denominados Estados laicos.

[26] NdTª.: Roberto Galbiati é um médico especialista em cardiologia e medicina do esporte e membro da Associazione Cattolica degli Infermieri e dei Medici (Associação Católica dos Enfermeiros e dos Médicos), denominada brevemente ‘ACIM B.M.V. Salus Infirmorum’, que, obedecendo ao mandado missionário da Igreja, se serve de todos os meios para difundir a doutrina católica no campo médico-biológico e para propugnar pela sua aplicação. A associação edita a revista Quaderni di San Raffaele (Cadernos de São Rafael) da qual Galbiati é diretor.

[27] NdTª.: Davide Pagliarani é o Superior do Distrito Italiano da FSSPX. O tema da conferência de dom Pagliarani foi: ‘Verdadeira e falsa ideia de Tradição. O cerne do problema’.